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Como destruir um casamento

Tradução: Igor Barbosa

Este texto não tem nada a ver com psiquiatria. Ou pode ser que tenha algo a ver com psiquiatria, mais que qualquer outra coisa.

O autor do blog ShrinkTalk escreveu sobre sua experiência como conselheiro matrimonial, listando 7 razões pelas quais o casamento se torna difícil para algumas pessoas.

Ele apresenta suas razões com base em sua experiência com casais. Curiosamente, no entanto, essas razões geralmente são do tipo “expectativas irrealistas” ou, pelo menos, “a impressão errada”. Em outras palavras, os casamentos haviam falhado não por causa do que aconteceu no casamento, mas porque as pessoas foram mal orientadas antes mesmo de se casarem.

Isso pode explicar em parte porque os casamentos arranjados, ou “casamentos de antigamente” duravam tanto. Todos sabiam precisamente o que era o casamento: Não havia ilusões ou confusões.

Se isso for verdade, talvez o papel do aconselhamento seja reorientar rapidamente as expectativas das pessoas desorientadas; ou, talvez, as pessoas devessem fazer aconselhamento antes de se casarem.

Pensei sobre isso e criei minhas próprias observações, todas as quais são sobre aceleradores pós-casamento do divórcio.

Desprezo.

Essa declaração é 100% precisa: Trair seu cônjuge é menos prejudicial para o seu casamento do que virar os olhos, desviar o olhar e dizer: “meu Deus, como você é chato”.

Eu não estou dizendo que você pode trair impunemente. Mas o desprezo, na interação conjugal, é o indicador mais importante de fracasso no casamento; na verdade, provavelmente seria melhor que esses casamentos fossem dissolvidos assim que possível. Eles não vão render nada que preste.

Trazer trabalho para casa com você.

E não me refiro aos relatórios trimestrais.

Você tem outro dia ruim no trabalho, chega em casa e ela pergunta sobre o seu dia. Você responde segundo a cartilha de um adolescente: “bem”; “nada;” “o mesmo de sempre.” E então ela pede para você cortar as cenouras, e você não se aguenta. “Cacete!”

Você trouxe para casa as emoções que reprimiu no trabalho e soltou elas em cima da sua família. Por quê? Porque você pode; você não precisa aguentar firme em casa. Você fica rude, irritável e caladão. Talvez sua esposa entenda. Por enquanto.

Eu sei, é difícil manter essas emoções sob controle depois que seu chefe encheu seu saco o dia todo. Mesmo assim, o entregador do iFood chega na sua porta e você, num instante, se torna agradável, aberto, esperto. “Opa, valeu, meu brother! E esse mengão, hein?” Você pode dizer que é encenação, mas outra forma de entender é: Você acha que vale a pena fingir que é educado para o entregador de lanches, mas não para a sua família. Percebeu? Sua família precisa ver o você verdadeiro e impaciente?

Ah, eu te ouço, minha geraçãozinha especialzinha, que considera a hipocrisia o maior de todos os pecados possíveis: “Se eu não posso ser eu mesmo em casa, então como é que é?” Porque esse não é o seu verdadeiro você, não existe um você. Quem você é é o que você faz. Se você chega em casa e fica irritadiço e brusco e mandão, então você é um idiota. Ninguém te deu autorização para dizer: “Sou uma pessoa legal, só que todo dia eu acabo ficando irritado por causa de qualquer coisa”.

Mesmo se você não for um idiota, o que sua família vê é um idiota.

Deixe o trabalho no trabalho; deixe as emoções do trabalho no trabalho. Elas não têm lugar em casa, não são úteis e não servem para nada. Claro que você pode falar sobre o seu dia de merda, você pode mostrar à sua mulher os esquemas para a bomba que você quer construir. Você pode ter raiva do seu chefe, mas não se irrite com sua esposa porque você não pode ter raiva de seu chefe.

Não tirar um tempo para si mesmo.

Guias de auto-ajuda erram tudo sobre esse assunto. Dizem que para preservar a sanidade, você precisa de um tempo para si mesmo; eles dizem que as novas mães precisam de “conversas adultas”. Isso é contraproducente.

Você janta com pressa, lava a louça com pressa, joga conversa fora com pressa; você está cumprindo suas “responsabilidades” para poder tirar um momento para si mesmo. O resultado é que você não está lá, você está atravessando o momento emocionalmente até poder chegar ao que você acha que quer.

A vida é o que acontece enquanto você está tentando alcançar o celular.

Muitas pessoas vão discordar de mim, e elas estão erradas. Primeiro, entenda que sua família é tudo que existe. Não há intervalo, não há outra coisa, não há “conversas adultas”. É possível que você nunca mais jogue golfe. As crianças não são a distração – todo o resto é a distração. Se o golfe é uma diversão agradável que não faz com que você viva a vida familiar apressadamente para chegar até ele, então tudo bem. Se não for assim, está banido. Caso contrário, você irá passar correndo pela vida familiar para chegar ao campo. E você vai sentir falta da família e mesmo assim não sentirá nenhum alívio real por causa do golfe.

Depois de aceitar isso, você pode prosseguir para a etapa 2: Decidir duas ou três “distrações” de que realmente gosta e colocá-las em sua rotina, com dedicação e comprometimento. Se você realmente for comprometido com essas atividades, seu cônjuge vai entender (e vai escolher algumas também). Mas se você escolher, digamos, ir para a academia Segunda, Quarta e Sexta, mas não for dedicado, seu cônjuge vai entender que isso é, para você, apenas uma fuga para quando as coisas ficam difíceis (Porque é isso mesmo.)

Lealdade acima da verdade.

Isso vai ser controverso: não importa o que aconteça, sua família em primeiro lugar. Não parece controverso? Continue lendo.

Se eu tiver um filho implicado numa série de crimes que ele cometeu cheio de crack na cabeça e ele me pedir algum dinheiro para se esconder em Uganda, adivinha só? Eu vou dar a grana. Eu posso tomar algumas ações corretivas; mas só eu e ninguém mais.

Eu sei que isso não funciona dentro da estrutura de uma sociedade justa, mas acontece que eu não acredito que vivemos em uma sociedade justa. A única coisa que sei é que minha família é tudo que eu realmente tenho. Eu posso querer matá-los, você não pode.

Sabendo que muitos não vão concordar com essa postura, vou amenizar um pouco:

O mesmo código de lealdade se aplica às suas conversas sobre sua família com gente de fora. Nada de piadinhas sobre seu cônjuge. Nunca. Você não pode falar com seus colegas de trabalho sobre seu filho usar drogas, ou sobre sua esposa ser viciada em pornografia, ou sobre sua frustração porque sua esposa não é viciada em pornografia. Com certeza você tem um melhor amigo com quem pode desabafar, mas até para ele você não pode dizer nada que faça um estrago permanente. Nada de fatos, só emoções. Por exemplo: Dizer “Meu marido não me escuta, ele não me entende, ele me ignora” é ok, em ocasiões especiais. Mas “meu marido socou a janela, ele toma Gardenal, tem fetiche por pés”, nem pensar. Honra significa calar a matraca.

Primeiro, é desrespeitoso com o cônjuge. Depois, e para botar um pouco de praticidade aqui, é algo que muda completamente a relação da outra pessoa com seu cônjuge, e consequentemente com você. Dizer à sua colega que você está se divorciando do seu marido porque ele está saindo com uma universitária também diz muito sobre você: Por exemplo, ‘Caramba, que povo doido’ e ‘Ela fala bastante, nossa’.”

Comunicar-se através dos filhos.

Se a maioria de suas conversas com seu cônjuge é sobre seus filhos e não sobre vocês dois, vocês são normais. Se todas as suas conversas são sobre seus filhos, provavelmente um de vocês já está no adultério.

Pessoas casadas acabam falando coisas sobre as crianças uma para a outra, mas não conversam entre si mesmas e sobre si mesmas. Em algum momento, você esquece que seu cônjuge é um indivíduo; você esquece que ele tem uma história. Você esquece que ele tem um futuro. Tudo o que você sabe é que ele está no seu presente.

Você já pensou em como será o dia em que seus filhos saírem de casa? Claro. Você já pensou sobre o que você fará em seguida? Claro. Você já pensou sobre o que seu cônjuge fará em seguida? (“Ficar triste” significa que você não pensou nisso.)

Manter os tanques de hedonismo abastecidos

Leia acima. Você notou como a maioria dos truques fazem efeito porque você tem confiança no seu autoconhecimento e uma posição estável na sua família? Ótimo. Agora, isso devia valer também para quando você é elogiado(a). Especialmente para os elogios.

Você deveria dizer “obrigado” e seguir em frente. Se você ficar lisonjeado; ou se você se pegar tentando atrair elogios; então algo está faltando em casa e isso precisa ser verificado, mas mais urgentemente você precisa se ajustar na parte de você onde estes elogios fazem efeito.

Lembra da garota gostosa no ensino médio, para quem você disse: “Eu gosto da sua jaqueta” e ela te esculachou? Ela fez isso porque não precisa dos seus elogios, e imediatamente percebe que você só a está elogiando porque quer algo dela. Você precisa adotar uma versão dessa postura assim que se casa.

Todo ###Filme Original de Adultério### tem a seguinte frase: “Ele fez eu me sentir viva novamente”. Eu sei, esse é o problema. O problema é o seu marido, por não fazer você se sentir viva normalmente; e o problema é seu por precisar que outra pessoa faça isso, pra começo de conversa.

Casamento significa: não ter que buscar uma afirmação de identidade em outro lugar.

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