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Dez obras que todo cristão deveria ler – nosso primeiro Ebook!

O Camponês está prestes a dar os primeiros passos no mercado editorial: lançaremos nosso primeiro Ebook. Nesta nova fase que iniciamos adotamos o epíteto: pessoas e livros. E nosso primeiro Ebook tratará justamente disso: “Dez obras que todo cristão deveria ler”. Faremos uma pequena introdução biográfica e um comentário sobre esses romances, contos, novelas e memórias e apresentaremos ao menos um motivo pelo qual todo cristão deveria conhecer estas obras.

Quando li “A Montanha Mágica” percebi que Thomas Mann podia me falar tão bem sobre filosofia quanto Olavo de Carvalho. Quando li “Crime e Castigo” percebi de Dostoievski podia ensinar psicologia tão bem quanto Ernest Becker. E quando li “Diário de um pároco de aldeia” percebi que suas páginas estavam cheias de autêntica teologia, assim como Jacques Maritain sentia pulsar o cristianismo nas páginas de Leon Bloy.  Literatura também transpira teologia. Nas obras de Mauriac e Bloy também há teologia de joelhos. Não à toa o grande Hans Urs Von Balthasar não se furtou em analisar em ensaios as obras de Peguy, Claudel e Bernanos (sobre quem Yves Congar também escreveu um volume).

Vivemos no Brasil (e, claro, na Igreja que se encontra no Brasil) um momento cultural muito empobrecedor. Qualquer professor ou catequista que adentre uma sala para encontrar-se com seus alunos certamente fará esta constatação. As pessoas estão afastadas dos livros, não conhecem os autores, não refletem sobre o seu pensamento, não conhecem sua ficção e suas narrativas, não exercitam a imaginação. Não fazem silêncio, não param, não meditam, não rezam. Ler é refletir, meditar, ruminar. É parar: buscar o silêncio e a solidão. A grande maioria das pessoas não têm mais vida interior. Não queremos fazer aqui uma apologia do conhecimento como via de salvação. Mas constatamos que sem este cultivo  interior, sem o exercício da imaginação, sem a intelectualidade mesma, que faz parte do organismo espiritual humano, e que é um dom divino, a vida do espírito torna-se esvaziada. O homem que despreza a vida intelectual fica, sem dúvida, menos humano, e por isso mesmo, fica menos próximo daquilo que Deus sonhou para si.

Seamus Heaney, poeta católico, nos fala desta importância da arte, da beleza e da literatura: “Gosto de recordar o episódio de Cristo e da adúltera. Antes de dirigir aos olhos acusadores a frase quem está sem pecado, atire a primeira pedra, Cristo desenha um sinal na areia. Para mim esse sinal é a arte. Não significa nada, mas cria a pausa; não pode terminar o linchamento nem mudar as intenções do grupo, mas institui um tempo para a concentração”. 

Daí nosso investimento neste tipo de assunto. Nosso primeiro Ebook trará obras de autores eminentemente cristãos, que deixaram suas marcas na história da literatura e na vida espiritual do ocidente. É Olavo de Carvalho quem falará da importância de uma literatura que traz em si a marca da catolicidade:

“Não há exagero em dizer que durante esse meio século a experiência católica foi uma das principais, senão a principal força inspiradora da criatividade literária em todo o mundo Ocidental.

Esse florescimento da literatura católica, incomum mesmo em épocas anteriores mais acentuadamente cristãs, foi possível porque, alimentado pelo advento da chamada “psicologia profunda”, o interesse crescente das classes letradas pelo conhecimento da alma humana encontrava na disciplina tradicional do exame de consciência e da confissão um ambiente excepcionalmente favorável.

Nada é mais indispensável ao escritor de ficção do que a conquista daquela voz própria, pessoal no mais alto grau, que fala desde as impressões individuais diretas, e que definha instantaneamente tão logo o senso da experiência concreta é sufocado pela intromissão dos estereótipos e das “idéias gerais”.

A prática do catolicismo consiste muito menos em aderir intelectualmente a doutrinas do que em buscar, com a ajuda dessas doutrinas, um diálogo direto entre a alma do pecador e a única fonte possível da redenção. Todo fiel católico sabe que só perante Deus a alma alcança aquele patamar de sinceridade perfeita que a convivência entre os homens busca em vão imitar. Daí a vivacidade incomum, o penetrante realismo com que a experiência católica se transmuta em representação literária da vida.”

(“Foi um desastre”, Olavo de Carvalho, Diário do Comércio, 12 de janeiro de 2014)

O período citado por Olavo corresponde à primeira metade do século XX. Quase todos os autores que escolhemos têm parte no espírito desta época.

Eis a nossa lista:

Flannery O’Connor  - É difícil encontrar um homem bom

Leon Tolstoi – A morte de Ivan Ilicht

Walker Percy – Amor nas ruínas

Graham Greene  - O Poder e a Glória

Lúcio Cardoso  -  Crônica da Casa Assassinada

Leon Bloy  –  A mulher pobre

Thomas Merton  -  A montanha dos sete patamares

Michael O´Brien  -  Padre Elias

Antônio Carlos Villaça – O Nariz do Morto

Raïssa Maritain – As Grandes Amizades

Estes autores e sua literatura vão nos introduzindo o que Robert Hutchins chamou de  “grande conversação”, que é uma espécie de corrente das grandes questões tratadas na história do pensamento. Esta inserção, na medida em se aprofunda, permite que o leitor dialogue com as grandes mentes, com os grandes escritores, com os grandes imaginadores, imerja  nas grandes questões da história da humanidade (Deus, morte, mal, sofrimento, vocação, vida pós-morte, santidade, felicidade, relacionamentos, etc). O mundo da literatura permite este “diálogo com os mortos” para que possamos também dialogar em alta performance com os vivos, com o mundo, com o nosso tempo e cultura. Aliás, a literatura é imprescindível para penetrar na cultura dos povos, para dar a amplitude de visão que pede a vida de estudos,  e não se pode desprezá-la se o desejo é adquirir cultura e uma visão (e um saber) universal das coisas.

Além disso, a literatura – e aqui falamos não só da literatura marcada pelo cristianismo, mas dos clássicos –  tem a faculdade de colocar o sujeito em contato com uma amplitude de tipos humanos que ele jamais teria a oportunidade de encontrar em sua vida. Quem é que teria a “sorte” de topar com um Raskolnikov e sua personalidade tão complexa, sua divisão interna, seus delírios e seu quebrantamento? Um Hamlet e a loucura de sua nobreza? Um Quixote? Onde encontraria a radiografia da alma de um santo com tanta agudeza quanto Bernanos fez com seu pároco de aldeia? É uma verdadeira dilatação da imaginação. É, de novo, Seamus Heaney, que escolhemos para colocar um ponto final nesta reflexão:

“Não que os artistas  sejam profetas, mas frequentemente encontram  maneiras de ver e dizer, de novo, chegam a imagens que avançam. Uma  nova metáfora que seja verdadeira em relação à realidade faz avançar as  coisas”.

Tudo isto, breve, em nosso primeiro Ebook.

(Sérgio Souza, criador d’O Camponês)

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