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O Camponês

Igor Barbosa*

 

Jean-François Millet, “The Potato Harvest”

Que canto, em meio à calma, poderei
tirar de um peito quente, em que a lavanda
fez recuar a febre? A quantas anda
o canto que esqueci, porque o cantei

e descantei, estátua na varanda –
Assim me fiz de pedra e descansei!
Tornado pedra e fogo, ao ouro dei
o adeus mais esperado: Vai-te, anda…

Vai ser coroa só do Cristo Rei,
que assim ficamos bem: Ele é quem manda,
pois ele é quem ama. Eu, desta vez

quero viver só entre cães, pôneis,
e mandar neles como quem não manda.
Sou infinitamente camponês.

 

***

Igor Barbosa é poeta e autor do livro Februarius (2018).

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