fbpx

O último romântico: São Josemaria no século XXI

por Gabriel De Vitto

São Josemaria Escrivá é um homem de seu tempo e, em boa medida, é um homem do nosso. Todo santo tem algo de eterno em sua vida e, por isso mesmo, um quê de atualidade; são eles “velhos e novos como o Evangelho”. Nos últimos anos temos visto um boom na devoção ao aragonês; por todo lado vemos pulular pelo Facebook e pelo WhatsApp frases tiradas de Caminho sendo usadas para tudo: de antipetismo até propaganda de desentupidor de pia – sem contar as lojas de camisetas (!!!). Para se evitar um uso quimérico da figura de Escrivá é preciso mergulhar em sua personalidade, conhecer as nuances de sua doutrina e de sua Obra. Para tal feito escreveu Monsenhor Mariano Fazio “O Último Romântico”, um livro que se propõe a introduzir o leitor in libertatem gloria filiorum Dei[1](na liberdade e glória dos filhos de Deus) que urgia no coração do Fundador do Opus Dei.

Dom Mariano trata os temas fundamentais da mensagem vista por São Josemaria em 2 de outubro de 1928 . Fala sobre a “chamada universal à santidade”, a filiação divina, a santificação do trabalho, o amor à Igreja, os primeiros cristãos, o “anticlericalismo bom”. O livro explora várias dimensões da liberdade que, como bem notou Cornélio Fabro, são essenciais para a boa compreensão da visão do Padre: “Monsenhor Escrivá de Balaguer não hesita em afirmar que a liberdade salva o homem. Mas não a simples liberdade humana, a liberdade cristã, a que nos alcança Cristo; que não é outra liberdade, mas a mesma liberdade humana curada e elevada pela graça sobrenatural. Daí a salvação, como mesma liberdade que salva, é principalmente o dom de Deus”[2].

Como haveria o homem de salvar-se se fosse um escravo? Somos livres, grita São Josemaria, grito que se faz ecoar na pena de Fazio. O título deriva de uma afirmação textual de São Josemaria em que transparece perfeitamente este importante veio do espírito do Opus Dei: “Não me deixeis como o último dos românticos. Esse é o romantismo cristão: amar a liberdade dos outros, com carinho”[3].

Em tempos como os nossos, onde a pessoa é aniquilada por sistemas totalitários e a vida humana é tratada com base nas regras de uso e desuso, passa a ser imperativo anunciar a liberdade evangélica desde os telhados da vida monástica até as esquinas da vida laical. Sem liberdade, como pode a alma obedecer esta doce ordem paternal: “Que procures Cristo. Que encontres Cristo. Que ames Cristo”[4]? “A pessoa é o princípio e o fim do amor[5]” e o amor pressupõe a liberdade.

Compre agora: O último romântico, de Mariano Fazio.


[1]Cartas aos Romanos 8, 21.

[2]CornelioFabro, “El primado existencial de la libertad”. ScriptaTheologica, vol. 13 (2-3), 1981.

[3]São Josemaria, Notas de uma homilia, 18.05.1974 (AGP Biblioteca, PO1, 1974).

[4] Caminho, ponto 382.[5] Vide a “norma personalista” em Karol Wojtyla, “Amor e responsabilidade”, p. 34-38.

Compartilhe